Eu desisto! Desisto e me entrego.
Me sinto em plena guerra mundial do meu próprio e exclusivo mundo, levantando a bandeirinha branca.
Eu quero paz.
Assim, desse jeito não dá mais.
Está tudo fora do lugar, inclusive as minhas idéias.
Eu deitei nessa cama fria a noite inteira, li um pouco de filosofia para iniciantes - e me senti uma iniciante, devo admitir -, apaguei a luz artificial, levantei, e com a luz do meu celular fui até a porta do quarto, segui até o banheiro onde lavei meus pés. Escovei os meus dentes e tomei o meu remédio.
Deitei mais uma vez na cama fria, me cobri dos pés a cabeça e pensei em várias coisas idiotas antes de pegar no sono.
Mas o sono não quis me pegar, mais uma vez.
As coisas idiotas que pensava, deixaram então de ser idiotas e passaram a se tornar sérias, chatas.
Ai, essa vida do lado de cá não tem sido fácil. Pensei na (im)possibilidade de alguma coisa mudar. Pensei nos próximos dias e contei-os com os dedos das mãos, que por sinal, são poucos e só agora eu notei.
Dez dedos para vinte e quatro dias.
Minha cartela de remédios acaba daqui a alguns dias, mas ela sim tem remédios suficientes pra que eu possa contar com os dias.
Os vinte e quatro dias passarão, e eu ainda terei os remédios da mesma cartela. Quase no fim da cartela, quase no fim do sofrimento.
A mente cansada até pensou em tomar todos os remédios de uma só vez, pra ver se diminue a dor e pra ver se os dias acabam num dia só.
Mas o remédio não é pra dor, nem me ajudaria em nada. E os dias não vão passar, de qualquer forma.
Meu corpo não descansa mais durante a noite e parece até que ele sente prazer de assistir o relógio dar meia-noite.
É que toda vez que dá meia-noite a data muda no calendário e dá pra sentir os dias passarem assim.
Hoje é dia sete de junho de dois mil e dez, e eu desejo sem parar o dia trinta.
Preciso fazer tantas coisas e não tenho mente, tempo, coragem.
A minha mente está onde está a minha saudade. O meu tempo eu gasto no ócio.
E a coragem saiu correndo de mim. Se assustou quando me viu deitada o dia inteiro, quase todos os dias.
A minha alma está deserta, nesse mundo deserto.
Eu desisto de tentar entender, de tentar fazer, de tentar, tentar, tentar.A melancolia não sai de mim.
Chega de saudade.
domingo, 6 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
O oco.
Faz muito sentido a saudade, quando ela é contada nos dedos.
Os dias começam a ser contados de forma bastante diferente. Subtração e soma.
Uma mistura caótica que vira bagunça fácil.
E agora a bagunça está dentro de mim, e fora também. Tenho meias sujas e algumas blusas de frio também. Preciso lavar e não consigo criar coragem. É que pra matar a minha saudade eu só preciso de roupas de verão.
Lá, onde a minha saudade mora, é quente o ano inteiro. Calor das pessoas. Calor do sol.
E eu até poderia anunciar aqui a minha dor, e vou : Dói estar longe.
E essa dor precisa ser curada, com muita urgência. Antes que a noite caia e antes que o dia amanheça. Porque a noite é bem perigosa, e o dia precisa ser feliz.
Precisa mesmo ser feliz, depois de dias intensamente sofridos.
Lá, no canto da minha saudade, todas as luzes estão acesas, me esperando com sorrisos verdadeiros.
E aqui, comigo, hoje, há pouco sorriso. Há pouca luz.
Se estívessemos numa época onde se escrevem cartas, eu estaria escrevendo exatamente isso, num papel, com uma caneta de pena preta – só pra representar bem a minha falta de cor.
O endereço de envio seria a rua Deputado Carvalho alguma coisa, colaria o selo e enviaria pelo correio. Talvez demorasse alguns dias pra chegar às mãos.
Me leriam assim, da maneira que escrevo agora. Porque a saudade era exatamente como eu descrevo aqui, mesmo há tantos anos atrás.
Saudade sempre foi meio dolorida, meio gostosa, meio azeda, meio doce. Bem salgada.
Sempre foi a ultrapassagem do limite.
A sensação é dessas, de que se passa o dia inteiro, todos os dias, esperando o dia passar.
Sei do que vivo, porque entendo de saudade. Seria pior não entender e não saber o que vivo.
Vivo de saudade, e sinto a saudade no estômago. Junto com a minha fome, criada pela falta de vontade de comer que a saudade me faz ter.
Eu preciso da presença, e não só dela. Preciso observar, absorver, comer.
Eu quero matar a fome que existe em mim, lá onde mora o melhor tempero.
Meu coração está batendo no mundo, e a minha saudade faz um oco. Dentro e fora.
Os dias começam a ser contados de forma bastante diferente. Subtração e soma.
Uma mistura caótica que vira bagunça fácil.
E agora a bagunça está dentro de mim, e fora também. Tenho meias sujas e algumas blusas de frio também. Preciso lavar e não consigo criar coragem. É que pra matar a minha saudade eu só preciso de roupas de verão.
Lá, onde a minha saudade mora, é quente o ano inteiro. Calor das pessoas. Calor do sol.
E eu até poderia anunciar aqui a minha dor, e vou : Dói estar longe.
E essa dor precisa ser curada, com muita urgência. Antes que a noite caia e antes que o dia amanheça. Porque a noite é bem perigosa, e o dia precisa ser feliz.
Precisa mesmo ser feliz, depois de dias intensamente sofridos.
Lá, no canto da minha saudade, todas as luzes estão acesas, me esperando com sorrisos verdadeiros.
E aqui, comigo, hoje, há pouco sorriso. Há pouca luz.
Se estívessemos numa época onde se escrevem cartas, eu estaria escrevendo exatamente isso, num papel, com uma caneta de pena preta – só pra representar bem a minha falta de cor.
O endereço de envio seria a rua Deputado Carvalho alguma coisa, colaria o selo e enviaria pelo correio. Talvez demorasse alguns dias pra chegar às mãos.
Me leriam assim, da maneira que escrevo agora. Porque a saudade era exatamente como eu descrevo aqui, mesmo há tantos anos atrás.
Saudade sempre foi meio dolorida, meio gostosa, meio azeda, meio doce. Bem salgada.
Sempre foi a ultrapassagem do limite.
A sensação é dessas, de que se passa o dia inteiro, todos os dias, esperando o dia passar.
Sei do que vivo, porque entendo de saudade. Seria pior não entender e não saber o que vivo.
Vivo de saudade, e sinto a saudade no estômago. Junto com a minha fome, criada pela falta de vontade de comer que a saudade me faz ter.
Eu preciso da presença, e não só dela. Preciso observar, absorver, comer.
Eu quero matar a fome que existe em mim, lá onde mora o melhor tempero.
Meu coração está batendo no mundo, e a minha saudade faz um oco. Dentro e fora.
Viva alto.
Um dia - e isso pode ser daqui a dois dias, daqui a dois anos, daqui a dez anos, não se sabe ao certo - você acordará, olhará para os seus pés tocando o chão pela primeira vez do dia e refletirá só - sem amigos por perto, sem álcool algum no sangue, ou qualquer coisa ilusória que te faça crer por um tempo que está tudo bem sempre - qual o sentido que a vida tem.
Então notará coisas que você deixou que passassem.
Lembrará das pessoas que tanto te amaram, e você as deixou ir embora de sua vida, sem nem dar um tchau. Pouco caso.
Recordará também daquelas que foram embora dizendo ' até logo...' e nunca mais voltaram.
Isso tudo acontecerá porque somos todos humanos. E é só isso que somos.
Viver justamente é um pedido que vem das minhas veias, do coração que bate, ferido, magoado, e ainda assim, crente.Queria te pedir pra que viva, viva, viva, mas que cuide bem da vida. Uma única oportunidade, como um presente.
E você saberá de todas as vezes que ultrapassou os limites das pessoas que passaram por você, e até os seus próprios limites. Não será difícil de saber.
O principal desejo meu, nesse momento, é que não sofra a dor do arrependimento, aquela dor que sempre vem com gosto bem amargo e que nos faz pensar em várias chances de termos feito de maneira diferente.
“Queria ter abraçado. Queria ter amado. Queria não ter odiado por tanto tempo.
Deveria ter beijado ao invés de ter tapeado. Poderia ter ligado só mais uma vez...”
Pensamentos típicos de quem se lamenta.
A morte pode vir para uma criança, como para um velhinho. E o amor também...É que viver realmente ultrapassa qualquer entedimento.
Não deixe que as coisas te influenciem a fazer o mal.
Não deixe de amar sua família, não esqueça de quando acordar agradecer pelas bençãos.
Porque aqui estamos nós. Todos nós, cantando juntos, num só coro : All we need is love.
Na vida, muitos irão crer que você é a proteção. Muitos acreditarão que você e mais ninguém é o guardião. Muitos te nomearão de amor. Muitos te pedirão perdão.
Muitos vão depositar toda fé em você.
Faça por onde.
Essa semana eu vi e vivi coisas que não são agradáveis e quero dizer ao mundo inteiro que aquela letra ridícula que diz ' cuide bem do seu amor, seja quem for', pela primeira vez faz muito sentido pra mim.
Cuide das pessoas que acreditam em você, que confiam em sua bondade, que depositam fé em você.
Não há mal algum em cuidar, afinal de contas.
O grande problema é de que no dia em que seus pés toquem o chão gelado e a sua cabeça esfrie, você não sinta que esfriou demais... E logo em seguida vem o grande inimigo da nossa mente, o peso.
Isso provavelmente acabará com você, e bom, como somos todos humanos... talvez seja bem tarde.
Você nunca saberá.
Então notará coisas que você deixou que passassem.
Lembrará das pessoas que tanto te amaram, e você as deixou ir embora de sua vida, sem nem dar um tchau. Pouco caso.
Recordará também daquelas que foram embora dizendo ' até logo...' e nunca mais voltaram.
Isso tudo acontecerá porque somos todos humanos. E é só isso que somos.
Viver justamente é um pedido que vem das minhas veias, do coração que bate, ferido, magoado, e ainda assim, crente.Queria te pedir pra que viva, viva, viva, mas que cuide bem da vida. Uma única oportunidade, como um presente.
E você saberá de todas as vezes que ultrapassou os limites das pessoas que passaram por você, e até os seus próprios limites. Não será difícil de saber.
O principal desejo meu, nesse momento, é que não sofra a dor do arrependimento, aquela dor que sempre vem com gosto bem amargo e que nos faz pensar em várias chances de termos feito de maneira diferente.
“Queria ter abraçado. Queria ter amado. Queria não ter odiado por tanto tempo.
Deveria ter beijado ao invés de ter tapeado. Poderia ter ligado só mais uma vez...”
Pensamentos típicos de quem se lamenta.
A morte pode vir para uma criança, como para um velhinho. E o amor também...É que viver realmente ultrapassa qualquer entedimento.
Não deixe que as coisas te influenciem a fazer o mal.
Não deixe de amar sua família, não esqueça de quando acordar agradecer pelas bençãos.
Porque aqui estamos nós. Todos nós, cantando juntos, num só coro : All we need is love.
Na vida, muitos irão crer que você é a proteção. Muitos acreditarão que você e mais ninguém é o guardião. Muitos te nomearão de amor. Muitos te pedirão perdão.
Muitos vão depositar toda fé em você.
Faça por onde.
Essa semana eu vi e vivi coisas que não são agradáveis e quero dizer ao mundo inteiro que aquela letra ridícula que diz ' cuide bem do seu amor, seja quem for', pela primeira vez faz muito sentido pra mim.
Cuide das pessoas que acreditam em você, que confiam em sua bondade, que depositam fé em você.
Não há mal algum em cuidar, afinal de contas.
O grande problema é de que no dia em que seus pés toquem o chão gelado e a sua cabeça esfrie, você não sinta que esfriou demais... E logo em seguida vem o grande inimigo da nossa mente, o peso.
Isso provavelmente acabará com você, e bom, como somos todos humanos... talvez seja bem tarde.
Você nunca saberá.
sábado, 15 de maio de 2010
Urgente!
Não pare mais nunca de dançar. E faça com que todos ao seu redor notem como a música te faz viver.
Mexa-se no mesmo ritmo da música e dance, de verdade, como se ninguém estivesse te olhando.
Sinta a música entrando em cada um dos seus poros.
As vibrações musicais vão entrar e mexer com tudo que existe dentro e fora.
Pode observar, todos estão frenéticos. Todos estão felizes. Não é a droga. Não é nada disso. É a realidade que poucos conseguem enxergar.
A paz musical no ar. O amor de cada um triplicado, misturado, em contato com a natureza, com o sol, com a grama.
A música te faz sentir vivo. E não, não é pra ser escutada, é pra ser sentida.
Sinta, sinta, sinta.
Estou com saudade disso, urgente!
Mexa-se no mesmo ritmo da música e dance, de verdade, como se ninguém estivesse te olhando.
Sinta a música entrando em cada um dos seus poros.
As vibrações musicais vão entrar e mexer com tudo que existe dentro e fora.
Pode observar, todos estão frenéticos. Todos estão felizes. Não é a droga. Não é nada disso. É a realidade que poucos conseguem enxergar.
A paz musical no ar. O amor de cada um triplicado, misturado, em contato com a natureza, com o sol, com a grama.
A música te faz sentir vivo. E não, não é pra ser escutada, é pra ser sentida.
Sinta, sinta, sinta.
Estou com saudade disso, urgente!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Tic-tac.
O tempo não para, já dizia o poeta. Os milênios que passaram, e os centenários dos nossos antepassados, que hoje, são apenas ossos numa catacumba.
Tic-tac, tic-tac. Nasci há poucos dias, mas já tenho duas décadas. Duas décadas de luta, a cada respiração, a toda inspiração.
O relógio, bom, ele foi a única coisa em toda minha vida que nunca parou.
Anos e mais anos,e pra morrer basta estar vivo.
Nada acabaria - por hoje - durante a minha vida, não fossem os segundos que insistem em passar sem parar, e se acabam. E começam outra vez.
Pra sempre o mundo gira junto com os ponteiros do relógio de parede que fica na cozinha de Maria.
A pergunta é : Quem disse que o tempo não pode parar e inventou esse lance de infinito?
Tempo é relativo e digo porque sei que a intensidade de cada momento vivido é o que importa.
Posso morrer em cinco minutos e viver muito em apenas dois.
Estar vivo é como ter dentro de você, no íntimo do ser, no âmago, todos os relógios do mundo.
Viver é a arte de transformar segundos em horas, horas em anos.
Intensidade sempre aqui, alí, no mundo. Em ti, em mim.
Tic-tac, tic-tac. Nasci há poucos dias, mas já tenho duas décadas. Duas décadas de luta, a cada respiração, a toda inspiração.
O relógio, bom, ele foi a única coisa em toda minha vida que nunca parou.
Anos e mais anos,e pra morrer basta estar vivo.
Nada acabaria - por hoje - durante a minha vida, não fossem os segundos que insistem em passar sem parar, e se acabam. E começam outra vez.
Pra sempre o mundo gira junto com os ponteiros do relógio de parede que fica na cozinha de Maria.
A pergunta é : Quem disse que o tempo não pode parar e inventou esse lance de infinito?
Tempo é relativo e digo porque sei que a intensidade de cada momento vivido é o que importa.
Posso morrer em cinco minutos e viver muito em apenas dois.
Estar vivo é como ter dentro de você, no íntimo do ser, no âmago, todos os relógios do mundo.
Viver é a arte de transformar segundos em horas, horas em anos.
Intensidade sempre aqui, alí, no mundo. Em ti, em mim.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Estações.
É interessante essa coisa de sentimento, né?
Tem gente que sente demais, já outros quase não conseguem compreender bulhufas nenhuma quando o assunto é esse.
Tem gente que acredita até que amar é só um sentimento, único.
Ontem eu pude perceber - vivi - a maneira de como o amor é abrangente. Isso mesmo! O amor é um dos sentimentos que mais envolvem outros sentimentos.
Parece que faz tudo parte do mesmo pacote : compre um e leve vinte.
A vida é uma promoção absurda.
Amor dá raiva, dá aflição, dá angústia, saudade, desapego, apego, humor, alegria, tristeza, ódio, rancor, e passa e fica e vai e volta.
Amor é uma loucura e só quem é louco de amor sabe mais do que qualquer outra pessoa no mundo.
Tristes são os que sofrem de amor, porque sabem o que é amar.
Felizes os que sorriem por amor, porque vivem a melhor parte dele.
Ah, esse tal de amor.
O amor é além de uma decisão, uma disposição mental. Você não escolhe demais.
Quando você menos espera, ele te pega, te envolve, te enlouquece, te aquece.
E você, que um dia era desacreditado, recebe as boas-vindas de quem já passou por isso.
É uma coisa meio ensaiada no mundo inteiro. Quem já amou, sabe.
No início, um amor de rosas. No meio, uma piscina parada com rosas,
no fim, bom... no fim parece um esgoto cheio de defuntos e rosas.
As coisas vão morrendo no amor, pouco a pouco. E se desfazem e começam a feder.
O cheiro do amor é muito bom no início, e no fim, fétido.
Mas eu já disse,
vai e volta.
Tem gente que sente demais, já outros quase não conseguem compreender bulhufas nenhuma quando o assunto é esse.
Tem gente que acredita até que amar é só um sentimento, único.
Ontem eu pude perceber - vivi - a maneira de como o amor é abrangente. Isso mesmo! O amor é um dos sentimentos que mais envolvem outros sentimentos.
Parece que faz tudo parte do mesmo pacote : compre um e leve vinte.
A vida é uma promoção absurda.
Amor dá raiva, dá aflição, dá angústia, saudade, desapego, apego, humor, alegria, tristeza, ódio, rancor, e passa e fica e vai e volta.
Amor é uma loucura e só quem é louco de amor sabe mais do que qualquer outra pessoa no mundo.
Tristes são os que sofrem de amor, porque sabem o que é amar.
Felizes os que sorriem por amor, porque vivem a melhor parte dele.
Ah, esse tal de amor.
O amor é além de uma decisão, uma disposição mental. Você não escolhe demais.
Quando você menos espera, ele te pega, te envolve, te enlouquece, te aquece.
E você, que um dia era desacreditado, recebe as boas-vindas de quem já passou por isso.
É uma coisa meio ensaiada no mundo inteiro. Quem já amou, sabe.
No início, um amor de rosas. No meio, uma piscina parada com rosas,
no fim, bom... no fim parece um esgoto cheio de defuntos e rosas.
As coisas vão morrendo no amor, pouco a pouco. E se desfazem e começam a feder.
O cheiro do amor é muito bom no início, e no fim, fétido.
Mas eu já disse,
vai e volta.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Voltando.
Aos 10 anos de idade - sim, bem pequena - eu escrevia coisas bobas nas folhas da minha agenda escolar. Às vezes eu até arrancava as folhas e colocava junto com as minhas barbies em cima do meu guarda-roupa, pra que ninguém nunca pegasse pra ler.
Afinal de contas, as coisas escritas eram minhas e bastante pessoais. Tão pessoais que nem me lembro mais.
Sempre fiz essas coisas... meu incentivo se renovava a cada aniversário, 30 de novembro, quando eu sempre ganhava um conjunto de 'escolinha' da mesma tia.
Tia Ilma sempre me presenteava com um potinho que vinha réguas de várias formas, vários lápis e canetas, borrachas em forma de urinhos e sapinhos e todos esses bichinhos, e um caderninho em branco onde eu podia desenhar o que eu quisesse. Eu sempre preferi desenhar poesias. Sempre gostei de frases impactantes. Sempre achei muito bonito, a forma como as palavras ficavam bem mais bonitas com a minha mão esquerda. Sim, sou canhota. A minha tia é formada em jornalismo, frustrada. Nunca exerceu.
Eu sempre escrevia umas coisas bem bobas. Inventava amores platônicos. Inventava um monte de coisas. Até que um dia eu não precisei mais inventar.
As coisas aconteciam e eu costumava passá-las pro papel - e eu já não ganhava mais o kit escolar da minha tia -, em qualquer papel eu escrevia tudo o que ia acontecendo, meio que de uma maneira frenética. Isso sempre me aliviou bastante, isso sempre me fez sentir bem.
Um dia, lembro que eu estava sentada na porta do meu colégio esperando o meu pai ir me buscar e comecei a escrever no fundo do meu caderno alguns pensamentos meus, sobre o que estava acontecendo dentro e fora de mim, e a Carol, minha amiguinha de classe, leu tudo o que eu escrevi, eu havia escrito em uma folha inteira de caderno um monte de coisas, e no final, ficou até 'de arrepiar', e ela me disse : " Como você consegue escrever tão rápido tanta coisa tão louca e que no fim faz muito sentido?"
E eu não sabia que isso era verdade, mas depois que ela me falou, eu comecei a reler tudo o que havia escrito, e me dei conta de que realmente as coisas estavam postas no papel, assim como existiam dentro e fora de mim.
Criei paixão pela coisa.
Nunca mais eu consegui parar de escrever. Eu tinha duas agendas grossas de tanto que eu escrevia.
E fui sendo assim... tudo o que me doía, tudo o que me amava, tudo o que eu amava, tudo o que eu chorava, tudo o que eu ria, tudo o que eu beijava, tudo que eu tocava, tudo o que me fazia ter uma vontade incontrolável de escrever até os dedos doerem.
Fui sendo assim.
Um dia, quando estava passando por um dos momentos mais difíceis da minha vida, na separação dos meus pais, eu notei que as minhas melhores companhias eram essas : uma caneta, uma folha em branco e uma luz pra que eu pudesse ver tudo o que acontecia quando eu deixava que as minhas mãos falassem por mim.
Um dia descobri o amor, e lembro do prazer que habitava em mim, quando vez ou outra, ele dormia e eu tinha a chance de escrever olhando pra ele, parecendo um anjo dormindo.
Lembro de muitas coisas, dessa vida rara.
Aí, eu fui ficando moderna, e fui começando a escrever algumas coisas no meu e-mail e salvando nos rascunhos.
Aí, pouco tempo atrás alguém me disse sobre 'fazer um blog' e eu gostei da idéia.
A vida foi me ensinando a ser um pouco menos envergonhada, e fui começando a gostar da idéia de expor os meus sentimentos, e de desenhar não só pra mim, mas pra quem quiser decifrar as palavras que escrevo com tanta dedicação como um desenho rabiscado de uma criança com 10 anos.
Hoje, com vinte poucos anos de idade, eu falo sobre saudade, falo sobre amor, e desamor. Falo sobre solidão, sobre noites vazias, sobre rotina e sobre paixões.
Falo sobre beleza, sobre bares.
Falo de tudo que me faz pulsar. Eu gosto desse lance, apesar dos pesares.
Estou me sentindo vazia há meses... e só hoje eu percebi que o que alimenta a minha felicidade é escrever, e com a minha atual mudança de cidade esqueci um pouco disso tudo.
Tive que cuidar de coisas bem mais sérias. Comecei a trabalhar e estou estudando muito.
Mas ok, é hora de voltar a ter muita felicidade desenhada, mesmo que eu esteja falando sobre tristeza.
Hoje, oficialmente, devo dizer a todos vocês que me acompanham durante algum tempo, que eu voltarei a escrever com frequência.
Nada cura a minha alma como um bom som, e palavras escritas por mim.
Dou-me as boas-vindas.
Sejam bem-vindos, mais uma vez, ao meu mundo em palavras.
Afinal de contas, as coisas escritas eram minhas e bastante pessoais. Tão pessoais que nem me lembro mais.
Sempre fiz essas coisas... meu incentivo se renovava a cada aniversário, 30 de novembro, quando eu sempre ganhava um conjunto de 'escolinha' da mesma tia.
Tia Ilma sempre me presenteava com um potinho que vinha réguas de várias formas, vários lápis e canetas, borrachas em forma de urinhos e sapinhos e todos esses bichinhos, e um caderninho em branco onde eu podia desenhar o que eu quisesse. Eu sempre preferi desenhar poesias. Sempre gostei de frases impactantes. Sempre achei muito bonito, a forma como as palavras ficavam bem mais bonitas com a minha mão esquerda. Sim, sou canhota. A minha tia é formada em jornalismo, frustrada. Nunca exerceu.
Eu sempre escrevia umas coisas bem bobas. Inventava amores platônicos. Inventava um monte de coisas. Até que um dia eu não precisei mais inventar.
As coisas aconteciam e eu costumava passá-las pro papel - e eu já não ganhava mais o kit escolar da minha tia -, em qualquer papel eu escrevia tudo o que ia acontecendo, meio que de uma maneira frenética. Isso sempre me aliviou bastante, isso sempre me fez sentir bem.
Um dia, lembro que eu estava sentada na porta do meu colégio esperando o meu pai ir me buscar e comecei a escrever no fundo do meu caderno alguns pensamentos meus, sobre o que estava acontecendo dentro e fora de mim, e a Carol, minha amiguinha de classe, leu tudo o que eu escrevi, eu havia escrito em uma folha inteira de caderno um monte de coisas, e no final, ficou até 'de arrepiar', e ela me disse : " Como você consegue escrever tão rápido tanta coisa tão louca e que no fim faz muito sentido?"
E eu não sabia que isso era verdade, mas depois que ela me falou, eu comecei a reler tudo o que havia escrito, e me dei conta de que realmente as coisas estavam postas no papel, assim como existiam dentro e fora de mim.
Criei paixão pela coisa.
Nunca mais eu consegui parar de escrever. Eu tinha duas agendas grossas de tanto que eu escrevia.
E fui sendo assim... tudo o que me doía, tudo o que me amava, tudo o que eu amava, tudo o que eu chorava, tudo o que eu ria, tudo o que eu beijava, tudo que eu tocava, tudo o que me fazia ter uma vontade incontrolável de escrever até os dedos doerem.
Fui sendo assim.
Um dia, quando estava passando por um dos momentos mais difíceis da minha vida, na separação dos meus pais, eu notei que as minhas melhores companhias eram essas : uma caneta, uma folha em branco e uma luz pra que eu pudesse ver tudo o que acontecia quando eu deixava que as minhas mãos falassem por mim.
Um dia descobri o amor, e lembro do prazer que habitava em mim, quando vez ou outra, ele dormia e eu tinha a chance de escrever olhando pra ele, parecendo um anjo dormindo.
Lembro de muitas coisas, dessa vida rara.
Aí, eu fui ficando moderna, e fui começando a escrever algumas coisas no meu e-mail e salvando nos rascunhos.
Aí, pouco tempo atrás alguém me disse sobre 'fazer um blog' e eu gostei da idéia.
A vida foi me ensinando a ser um pouco menos envergonhada, e fui começando a gostar da idéia de expor os meus sentimentos, e de desenhar não só pra mim, mas pra quem quiser decifrar as palavras que escrevo com tanta dedicação como um desenho rabiscado de uma criança com 10 anos.
Hoje, com vinte poucos anos de idade, eu falo sobre saudade, falo sobre amor, e desamor. Falo sobre solidão, sobre noites vazias, sobre rotina e sobre paixões.
Falo sobre beleza, sobre bares.
Falo de tudo que me faz pulsar. Eu gosto desse lance, apesar dos pesares.
Estou me sentindo vazia há meses... e só hoje eu percebi que o que alimenta a minha felicidade é escrever, e com a minha atual mudança de cidade esqueci um pouco disso tudo.
Tive que cuidar de coisas bem mais sérias. Comecei a trabalhar e estou estudando muito.
Mas ok, é hora de voltar a ter muita felicidade desenhada, mesmo que eu esteja falando sobre tristeza.
Hoje, oficialmente, devo dizer a todos vocês que me acompanham durante algum tempo, que eu voltarei a escrever com frequência.
Nada cura a minha alma como um bom som, e palavras escritas por mim.
Dou-me as boas-vindas.
Sejam bem-vindos, mais uma vez, ao meu mundo em palavras.
Assinar:
Postagens (Atom)
